Nacos da História Gaúcha - Violão Gaúcho
![]() |
| Autor Matias Moura |
Muitas são as versões que giram em
torno da origem do violão. Sabe-se que a guitarra acústica surgiu a partir da
Cítara romana, levada à Península Ibérica pelos romanos na metade do ano I da
era cristã. A partir do seu surgimento, veio adquirindo várias adaptações e
adotando nomes distintos de acordo com a época. Nomes como guitarra
renascentista, guitarra barroca e guitarra clássico-romântica, foram algumas
das denominações dadas ao violão desde seu surgimento.
![]() |
| Autor Vasco Alves |
Em Portugal, o termo violão aparece
no final do século XIX, em alusão a um dos mais representativos instrumentos
regionais da época, a viola. O nome aparece para designar o surgimento de um
instrumento assemelhado à viola, mas de maiores proporções; uma viola grande,
ou, dito pelos portugueses, um “violão”.
Para os Espanhóis, guitarra, para os
Portugueses, violão. Assim é chamado aqui na América do Sul, esse instrumento
que veio da Ibéria com os primeiros colonizadores. O instrumento é o mesmo,
mudando apenas a nomenclatura e a linguagem musical.
Meio Português, meio Espanhol; este é
o biotipo do povo sul riograndense, principalmente do gaúcho como tipo social,
que tem no violão o seu parceiro de todas as horas por ser um instrumento
musical prático e leve, podendo ser carregado até sobre o lombo do cavalo.
É com o violão que o gaúcho expressa os seus
sentimentos desde o início da sua história, há mais de três séculos. Não quero
aqui impor nenhum tipo de disputa entre instrumentos para eleger qual o “mais
gaúcho”, mas é bom lembrar que os aerófonos (categoria que inclui todos os
tipos de acordeons e também o bandoneón) só chegaram aos pagos gaúchos em
meados do século XIX, trazidos pelos imigrantes alemães e italianos.
Quanto mais para baixo no mapa
sulino, mais nos avizinhamos dos castelhanos e mais acentuada se torna a mescla
de influências que determinam o estilo gaúcho de tocar violão. Deste convívio,
resulta uma mistura de sotaques que se torna evidente, quando trazemos à tona a
história do violão aqui no Sul do Brasil.
Pelo que se sabe, o violão gaúcho
começa dar seus primeiros passos lá pelos anos 1960, década da “explosão” do
violão brasileiro, quando alguns músicos, como o bageense Octacílio Amaral,
consagra-se no Brasil tocando temas folclóricos gaúchos e em 1968 grava o LP
“Sua Excia. O violão de Octacílio Amaral”, este com a música-sucesso Intitulada
“um fandango em Bagé”.
![]() |
| Autor Carlos Ferreyra |
Nesta época, os violões ainda não
tinham pré-amplificação e o que garantia o volume do som era o timbre
estridente das cordas de aço. É nessa época de poucos recursos técnicos que
surge outro importante violonista: Antoninho Duarte, integrante da Dupla Mirim,
que popularizou o “violão dançável”, gravando oito LPs com a referida dupla e
mais 5 com solos de violão, contendo ritmos como rancheira, polquinha, bugio,
vanera, entre outros.
Vindo de outra vertente , o
missioneiro Noel Guarany, em sua obra, priorizou o violão e foi um dos que
trouxeram os ritmos argentinos como a chamarrita e o chamamé para o Rio Grande
do Sul. Nesta época, já tínhamos os violões com cordas de nylon e já se usava
muito pouco os antigos violões dinâmicos.
![]() |
| Acervo Gaúcho |
Em 1970, surge a Califórnia da Canção
Nativa e inaugura o ciclo dos Festivais Nativistas do Rio grande do Sul. Com o
advento dos Festivais, aparecem músicos vindos de outros estilos trazendo
informações novas para o violão gaúcho, agregando características harmônicas e
melódicas até então não utilizadas. Violões de melhor qualidade foram
aparecendo (inclusive os importados), com captador adaptado às cordas de nylon,
e alguns Luthiers (fabricantes) de violões começam a surgir no Rio Grande do
Sul.
No início dos anos 1980 chega ao Rio
Grande do Sul o violonista argentino Lúcio Yanel, trazendo uma contribuição
enorme para o violão gaúcho: o toque com pegada, garra e virtuosismo, associado
a um estilo peculiar de tocar violão.
Também na década de 1980, Oscar Soares,
componente do grupo Os Mirins, levou o violão de forma efetiva para dentro dos
estúdios de gravação, sendo talvez o violonista com maior número de
participações em discos ao lado de quase todos os artistas regionais do Rio
Grande do Sul.
![]() |
| Autor Matias Moura |
No final dos anos 1990, o Santanense
Luis Cardoso recebe o título de “o violão da década”, premio instituído pela
emissora RBS, como reconhecimento aos seus incontáveis troféus de “melhor
instrumentista” nos Festivais Nativistas. Maurício Marques, aluno de Mário Barros,
surge sob influência do violão erudito e acrescenta toques da música clássica
ao violão gaúcho.
Começam a aparecer no Rio Grande do
Sul mais discos exclusivamente de violão: Lucio Yanel, em 1983, lança pela
gravadora Continental o álbum “La del sentimento”; Juliano Trindade (Bonitinho)
mistura timbres de violão e guitarra no LP Guitarra gaúcha, primeiro disco
instrumental com releituras de temas cantados.
No ano de 1998, é lançado “Estrada do
Sonho”, o primeiro CD de Marcello Caminha, abrindo porta para mais oito até
agora, dentre eles a trilogia Clássicos Gaúchos ao violão, Hinos brasileiros ao
violão, Tangos e Canções natalinas, estes três últimos inéditos no Rio Grande
do Sul em termos de repertório.
Na década de 1990, aparece nos
Festivais um menino chamado Yamandu Costa que, seguindo a escola de Lúcio
Yanel, mesclada ao ícone do violão brasileiro Rafael Rabello, traz à música
gaúcha o violão sete cordas e influencia toda uma geração de violonistas,
dentre eles o cruzaltense Arthur Bonilha que segue o mesmo caminho, misturando
toques da música brasileira ao violão gaúcho.
Lá de Dom Pedrito, vem Maykell Paiva,
que deixa bem clara, no seu CD de estréia, intitulado Do meu jeito, a
influência dos ritmos uruguaios no violão gaúcho. Na missioneira São Luiz
Gonzaga, o menino Caray Guedes já não é mais promessa e, ao lado da família
Guedes, impõe-se através do seu violão.
Com certeza, deixei de citar aqui
muitos nomes importantes. Se não fosse me alongar muito, poderia contar também
um pouquinho da história Zé Gomes, Osmar Carvalho, Ênio Rodrigues, Valmir
Pinheiro, Ribamar Machado, Márcio Rosado, Sérgio Souza, Fabrício Harden,
Ricardo Martins etc. e os da novíssima geração: Maurício Lopes,Diego
Geisler,Tiago Antunes, Felipe Raduns e Felipe Barreto, todos eles com imensa
contribuição para essa mistura de timbres que compõe a sonoridade do violão
gaúcho.
Minha ocupação nestes últimos anos
tem sido estudar as particularidades que acercam o estilo de tocar violão aqui
no Rio Grande do Sul. Esta mistura de linguagens, meio brasileiro, meio
castelhano, esta “pegada” forte, a alma gaúcha traduzida em acordes e a certeza
de que geração após geração o violão estará se renovando nas mãos de outros
“guitarreros/violonistas” que virão a surgir.
Neste período, tenho observado ainda
a procura dos jovens músicos pelo estudo do violão gaúcho e muito me orgulha em
ser um exemplo pra muitos deles que seguem o meu caminho, o de retratar a
cultura gaúcha pelas cordas do violão.
Nacos da História Gaúcha - Violão Gaúcho
Reviewed by Unknown
on
janeiro 08, 2013
Rating:
Reviewed by Unknown
on
janeiro 08, 2013
Rating:






Nenhum comentário: