Ovinocultores do RS optam por tosquia antes da parição
O rebanho de ovelhas no Rio Grande do Sul é o maior do país. A raça
Corriedale é a principal, com quase 4 milhões de cabeças. Cerca de 60% das
ovelhas criadas no estado são dessa raça, que é conhecida por ser boa produtora
tanto de lã quanto de carne. Nessa época, o período de reprodução se aproxima
do fim. As ovelhas vão começar a parir nas próximas semanas.
Antes desse período, os criadores aproveitam para utilizar a técnica
de tosquia pré-parto, ainda durante o outono. A técnica requer cuidados especiais
por causa do frio e porque as fêmeas estão em fase final de gestação, mas
garante bons resultados, segundo técnicos do setor. Antes os animais eram
submetidos à tosa na primavera.
"Ouvindo palestras, opiniões de técnicos, de criadores que
utilizam esta esquila (tosa), veio o convencimento de que ela seria muito
boa", afirma a produtora Elizabeth Amaral Lemos, criadora da raça
Corriedale em Pedras Altas, na Campanha.
Ela iniciou a tosquia completa das 500 matrizes no início de maio e é
a primeira vez que a produtora opta por fazer o trabalho nessa época. Como a
última tosa foi feita na primavera passada, a produtora prevê uma pequena queda
no rendimento da lã nesse primeiro ano. Mas afirma que vai adotar a técnica
antes do parto daqui para frente e não vê prejuízos no preço do produto.
"Nós estamos preparados para fazer essa esquila pré-parto com todo cuidado
que as fêmeas merecem".
Na cabana Vista Alegre, as primeiras ovelhas receberam uma capa
improvisada para proteger os animais do frio e da chuva. Além disso, o cuidado
ao manejar as fêmeas prenhes precisa ser redobrado, de acordo com esquilador
Lucas Uilian. Segundo este técnico da Associação Brasileira de Criadores de
Ovinos (Arco), entidade que tem sede em Bagé, a realização da tosquia nessa
época do ano traz vantagens. Com menos lã, as fêmeas se alimentam melhor e o
cordeiro se desenvolve com mais eficácia. Segundo o engenheiro agrônomo Edegar
Franco, assessor técnico da Arco, é no fim da gestação que os cordeiros se
desenvolvem mais.
Para o técnico, a tosquia pré-parto também vai facilitar a amamentação
dos cordeiros recém-nascidos porque o úbere da fêmea estará livre de obstáculo.
O acúmulo de lã no local é um problema para os cordeiros, tanto que muitos
produtores já realizam uma tosquia parcial, que consiste na limpeza dessa parte
da matriz. "Esta é uma técnica de manejo que nós temos tecnicamente uma
avaliação muito positiva. Ela necessita ainda ser muito mais difundida como
estratégia para os rebanhos gaúchos", defende o assessor técnico da Arco.
Os produtores comemoram a volta da instabilidade do tempo na Região da
Campanha, o que está recuperando as pastagens e vai garantir a alimentação dos
animais.
Fonte : Arco
Ovinocultores do RS optam por tosquia antes da parição
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maio 23, 2018
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